Them Crooked Vultures

O quê?Você ainda nem sequer ouviu falar de Them Crooked Vultures?
Tá, se você estava de férias em Marte, eu perdôo.
Ainda não sabe que a banda é formada simplesmente, nada mais, nada menos, que:
Josh Homme (Queens Of The Stone Age)
J.Paul Jones (Me recuso a dizer em qual banda ele tocou)
Dave Grohl (Nirvana/Foo Fighters)
Para começar, sim, este projeto me deixou muito ansioso, eu e milhares de fãs também.
A mim, particularmente, é algo muito especial. A banda reúne dois músicos que são meus favoritos. Sabe quando você vai jogar futebol e tem que tirar o time?
Se fosse para montar uma banda dos sonhos, eu escolheria esses dois caras.
Josh Homme é meu guitarrista favorito. Pensa seu som de uma maneira totalmente diferente da maioria dos guitarristas.
Seu timbre é único, motivo de inveja para muitos guitarristas (inclusive eu). Técnica fica em segundo plano para dar lugar ao feeling e originalidade de um músico que tenta sempre fugir do lugar comum.
Não usa um caminhão de equipamentos – pelo contrário – poucos pedais e amplificadores e guitarras que fogem o padrão de grandes marcas e mais usadas.
Como ele mesmo diz: ”Se você quer um timbre diferente, use um EQUIPAMENTO diferente”. Perfeito.
J. Paul Jones é meu baixista favorito. Junto formou a cozinha mais fantástica do Rock N Roll com John Bonham (que estaria escalado no meu time também) no Led Zeppelin.
Às vezes, fico me perguntando, se havia alguma disputa entre os dois, Bonham falando “Hey Jonesy, eu vou tocar este bumbo tão rápido e desta vez você não vai me acompanhar!”.
E Jones, com seu jeito calado e distante retrucava “Ok Bonzo, vamos ver”. Então começava a disputa, e para nossa felicidade, do Led Zeppelin, do Jimmy Page, da música, Paul Jones sempre vencia.
Nunca deixava Bonham sozinho, uma verdadeira máquina no baixo, talvez o músico mais competente daquele quarteto fantástico. E o com menos marketing também, melhor assim.
Dave Grohl não é meu baterista favorito. Mas é o principal discípulo dele. Acho que se Bonham estivesse vivo aplaudiria Dave.
Uma pegada arrasadora misturada com técnica e criatividade. Apesar de não ser adepto do som do Foo Fighters e nem do Nirvana, Grohl tem minha simpatia,
por sempre estar em ótimos projetos, fazer tudo com a maior honestidade possível e agora, claro.
ter reunido estes dois caras para montar a coisa mais interessante que o showbiz viu nos últimos anos.
Vamos falar então do disco,

Para começar, é inevitável que se compare este trabalho com o das bandas dos respectivos integrantes.
Principalmente com o Queens Of The Stone Age, já que temos a mão pesada na produção de Josh.
Mas não vou ficar fazendo comparações,não acho necessário ficar analisando uma coisa em função da outra.
Não, o disco não é uma quebra de paradigmas que muitos esperavam. Não vai revolucionar o mundo da música.
Não veio fazendo experimentalismos que nunca ouvimos antes. É sim, um puta disco de Rock N Roll,
é o que você vai querer quando apenas precisar ouvir o que de melhor o Rock tem para te oferecer.
Ou seja: Riffs matadores, baixo com todo o peso possível e bateria com a pegada necessária para chacoalhar a cabeça em velocidade máxima.
E com brindes: Letras totalmente irônicas e critativas, como em No One Loves Me Neither do I, “Well if sex is a weapon, then smash! Boom! Pow!”.
Falando em “No One Loves Me...” a seqüência de riffs em seu final, apresenta o disco, a canção em si faz a ambientação para a grande porradaria no final.
A seqüência inicial do disco é arrasadora. Não há pausa para respirar. New Fang vem com
muito groove em ritmo pouco convencional,mas com muito peso, graças ao baixo de Paul Jones.
O som tem bastante textura, e logo se percebe que é o trabalho de Homme mais bem acabado em termos de guitarras.
Dead End Friends apresenta ritmo mais cadenciado sem tantas mudanças de tempo (o que é uma constante no disco)
e a cozinha de Grohl e Jones mostra mais uma vez sua cara no final.
Elephants faz jus ao nome em seu riff inicial, com Josh e Jones perfeitamente sincronizados em um ritmo capaz de deixar qualquer um tonto.
Scumbag Blues talvez seja a melhor música do álbum. São os três integrantes mostrando o que tem de melhor, o ritmo é cadenciado, mas com muito peso.
É hora de Grohl competir com Jonesy, com um casamento bumbo/baixo simplesmente espetacular. O vocal de Josh, reverberado e em falsete, faz a música ser viciante.
É para aumentar o volume no máximo que você conseguir.
A partir de Reptiles o ritmo diminui, você descansa e curte o lado mais viajante do disco, com praticamente uma capela de Josh
em Interlud With Ludes, e o lado progressivo da banda em Warsaw – essa com cada integrante mostrando um pouco do seu talento no final – 7 minutos de pura viagem.
Gunman então chega acordando todo mundo com um riff que faz qualquer um querer mexer o esqueleto e refrão que vai beber (quem diria!) nas fontes de Bowie.
Fechando o álbum Spinning In Daffodils, soturna, ritmo tenso, sons indecifráveis e uma mensagem no final?”so high... I just fade and never come back”.Tomara que não.

O disco termina e fica a sensação de querer mais. Fica a curiosidade se o projeto vai continuar.
O fato dos integrantes serem quem são fez que com que se gerasse muita expectativa, mas é incrível como o grupo alcançou todas elas.
É difícil ouvir bandas iniciantes e discos menos bem acabados depois de Them Crooked Vultures.
Fica a sensação de que tudo é brincadeira de criança ou não possui a potência necessária.Suas caixas de som nunca foram tão bem usadas...